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Casa dos capitães-mor

Casa senhorial principal, com biblioteca, capela e oratório interiores, utilizada apenas pela Família e seus convidados. Será, provavelmente, a única casa brasonada de Mondim que ainda subsiste na família das armas que compõem o seu brasão (Pinto, Maya, Fonseca e Vasconcelos, com varonia dos Vasconcelos). Casa dos Capitães-Mor de Mondim da Beira durante várias gerações, foi dela o último Capitão Mor D. José Pinto de Mesquita Pimentel, nascido em 1766 e falecido em 1842.

A Casa vem retratada no livro Memórias de Mondim da Beira, de autoria do Prof. Leite de Vasconcelos (1922/1933). Casa dos Capitães-Mor de Mondim da Beira durante várias gerações, foi dela o último Capitão Mor D. José Pinto de Mesquita Pimentel, nascido em 1766 e falecido em 1842. Em 1834, com a restauração da Guarda Nacional (tinha sido criada pela primeira vez em 1823, mas extinta pouco tempo depois), desapareceriam os capitães-mores.

Por herança sucessivas, a Casa acabou por ficar propriedade plena de Leonor Osório Pereira Coutinho de Vilhena, a qual, morrendo solteira e sem descendência, deixou esta Casa em legado à Santa Casa de Misericórdia de Lamego, no ano de 1995.

Pouco depois surgirá, então, na história desta Casa, a família e a pessoa do Senhor Eng.o Jorge Manuel Jardim Gonçalves, com currículo bem conhecido. Jorge, nascido no Funchal em 1935, engenheiro civil pela Universidade do Porto, oficial miliciano logo início da guerra do ultramar português, em 1961, condecorado por Oliveira Salazar com cruz de guerra por bravura em combate e ajuda à conquista de Nambuangongo, em Angola, em 9 de Agosto de 1961, enveredou mais tarde pela banca, tendo fundado o Banco Comercial Português, hoje mais conhecido por Millennium BCP, o maior Banco privado português.

Voltando ao passado, Jorge Jardim pede licença para casar, em plena guerra, em 1962, interrompe por três semanas o serviço militar, e vai então à “Sempre Mui Nobre, Leal e Invicta Cidade do Porto” para casar, em 7 Abril de 1962, na Igreja da Lapa, com Maria d’Assunção Almeida Osório de Vasconcelos, natural da Foz do Douro, filha de Fernando Osório de Vasconcelos, primo segundo de Leonor Osório Pereira de Vilhena. Por aqui virá a ligação das duas histórias: a da Casa dos Capitães-Mor e a da Família de Jorge.

Fernando Osório de Vasconcelos, pai de Assunção, e os seus irmãos, todos filhos de Vasco Osório de Vasconcellos e de sua mulher Sofia, detinham várias propriedades em Mondim da Beira. Vasco, para além do que herdara, era um proeminente agricultor na zona e adquiriu muitas propriedades em Mondim da Beira. Faleceu prematuramente em 1945.
Assunção, nascida em 1934, mulher de Jorge, e as irmãs dela, filhas de Fernando, sempre passaram férias em Mondim em frente a esta bela e nobre Casa – do outro lado da rua – e a Casa dizia-lhes muito: a ela, aos filhos e ao seu sobrinho Pedro, filho de Adelaide, irmã de Assunção.

Recebendo da Santa de Misericórdia de Lamego esta casa em legado, num estado de pré-ruína, esta carecia de fundos para a sua reabilitação e de objectivos concretos para uma eventual utilização futura. Não fazia sentido mantê-la.

Colocada à venda, surgiu então a oportunidade e Jorge e Assunção adquiriram- na em 1997. Após uma interrupção de cerca de dois anos, regressa então a Casa à família Osório de Vasconcelos.

A partir daí, inicia-se o processo de reabilitação desta parte de Mondim da Beira. Pois, na verdade, adquirida a Casa dos Capitães-Mor, em 1997, sucedeu-se a compra da Casa do Lagar. De seguida, a da Casa do Cimo da Vila ou Casa da Capela do Santo António (que tinha sido a casa do próprio Vasco Osório de Vasconcellos, pai de Fernando e avô de Assunção), contígua à Casa dos Capitães-Mor, e que dispunha de um quintal de quase meio- hectar, que viria a ser vir as duas casas. Segue-se a Casa da Mina e por último a Cerca da Casa e a Casa da Cerca.

A Casa dos Capitães-Mor foi reabilitada com qualidade, bom gosto e amor.

Jorge e Assunção passaram aqui muitos bons momentos em família.

Jorge e Assunção trouxeram, devidamente catalogado, todo o seu espólio de arquivo pessoal, e de toda a sua rica vida estudantil, de associativismo e voluntariado, vidas profissionais, no ensino e na banca, pessoal e familiar para Mondim da Beira.

A vinha da Cerca foi replantada em 2019, em memória do que o Avô Vasco e outros antepassados tinham feito, e em continuação do que Jorge e Assunção haviam iniciado em Sintra, na região de Colares, com os vinhos Infinitude.

Assunção faleceu em 2020, em Fevereiro. Nesse mesmo ano, em Junho, é plantada a vinha em Almodafa (lugar de Mondim), nos Barreiros e no Bispado.
Em 2021, Jorge traz, da sua casa pessoal em Sintra, toda a sua Biblioteca, com mais de __ exemplares.

A Casa, continua a ser utilizada pela família e por Jorge, sempre com a memória e as saudades de Assunção.

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Fotos da Casa dos capitães-mor

As outras casas

Casa do Cima da Vila

Casa do Lagar

Casa da Mina

Casa da Cerca